A livraria de livros grátis

Este post poderia ser publicado num desses sites sobre boas notícias. Porém, eu prefiro tratá-lo a partir do ponto de vista do acesso à cultura, pois uma livraria que oferece livros grátis não é apenas uma boa notícia, mas um projeto baseado em uma filosofia consciente e coerente com o que já foi a política cultural da Espanha. Utilizo o verbo no passado (foi) porque um dia chegou a crise, e com ela os políticos de direita e os recortes sociais.

Mas tudo bem. Mesmo que falem que os espanhóis são preguiçosos, eu acho que eles reagem muito bem à atual política, que se dedica a ir matando a melhor parte deste país: a igualdade - no acesso à informação, saúde, cultura, educação... Esses espanhóis, que organizam manifestações multitudinárias (só em Madrid já foram mais de 2 mil neste ano) contra cada recorte e mudança nas leis trabalhistas, também empreendem. A própria sociedade começa a realizar mudanças que o Estado já não é capaz de oferecer.

A ONG espanhola Grupo 2013 juntava livros para enviar à América Latina, quando conheceu uma livraria gratuita nos Estados Unidos: The Book Thing of Baltimore. E em Madrid nasceu a "Libros Libres" - livraria onde qualquer pessoa pode "comprar" quantos livros grátis quiser.

Grátis e com sofá. O confortável mundo dos Libros Libres, no bairro de Chamberí, em Madri. FONTE: Clarin.com

Mas como assim?

A Libros Libres recebe uma média de 50 doações por dia. Além disso, algumas editora souberam do projeto e doaram exemplares novos. Segundo os responsáveis, a livraria tem entre 5 e 10 mil livros disponíveis no local, além das diversas caixas no depósito.

Para que o projeto seja sustentável a ONG conta com sócios que pagam 12 euros por ano e podem alugar filmes por 1 euro - ou comprá-los por 2. Mas paga quem puder, quanto e quando quiser, "o acesso sempre está aberto para quem necessite", dizem os responsáveis.


Parece sonho?

Com essa grana a ONG paga os 400 euros de aluguel do espaço em Madri, além do salário de quem trabalha nos finais de semana. Nos demais dias, o público é atendido por voluntários e livreiros do Grupo 2013.



Só pra constar:

A ONG calculou que para se manter durante o ano de 2013, precisava de 365 sócios até o final de 2012. Em 20 dias a Libros Libres chegou a 155: "muitos sócios nos doam mais do que os 12 euros", explicam.

A livraria conta com novelas, poesia, obras de teatro, literatura infantil e juvenil, catálogos de arte, fotografia, filosofia, política e textos jurídicos em perfeito estado.

Pra quem não sabe, a Espanha está atravessando a maior crise econômica da sua democracia: 50% dos jovens estão desempregados e o total do desemprego no país ultrapassa os 20%.

"Trata-se de uma receita para a crise: que as pessoas continuem lendo e que se forme um povo intelectual", dizem os responsáveis pela ONG.



Estado pra quê, né? Se os ativistas fazem coisas muito mais legais!


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3 comentarios:

  1. Enrique disse...:

    Buena iniciativa, esos libros casi pueden sentir la libertad con sus portadas, aunque todavía les falte un poco para alcanzarla de verdad.
    Estoy de acuerdo con lo de que es la sociedad la que tiene que empezar a activarse y a organizarse para mejorar su entorno y reducir el papel que desempeña "Papa Estado". Este es un buen ejemplo de ello.
    La verdad es que nos gusta coleccionar libros y tenerlos enjaulados en librerías que decoran nuestras cultas casas. Pobres libros. Dar un libro debería ser como dar la hora o como dar un saludo. Deberían circular por el mundo como almas libres y ser los principales transmisores de enfermedades del planeta, jaja, eso sería bonito. Hace poco tuve esta conversación con mi madre, que tiene una jaula bastante grande llena de libros y concluimos que la nostalgia y el cariño al objeto nos impide liberar a estos pobres condenados. Es una pena. Creo que el ebook va a ser un gran avance para la libertad de esta especie. Igual que lo fue la imprenta en su momento. Algún día los libros serán libres de verdad.
    Siempre he pensado que la verdadera cultura debería ser completamente libre. No creo que el auténtico arte deba tener propiedad, ni siquiera la de su propio creador o autor,.. pero bueno eso, para no aburrirte más, me lo reservo para tu próximo post.
    Buen artículo Isa, gracias, un fuerte abrazo,
    Enrique.

  1. Anônimo disse...:

    Fernandes es mi apellido; no me gusta escribir mi nombre...

    Após assistir em "news informação e notícia / canal mixtv" está reportagem
    (2/11/2012- 1:30AM); mesmo sendo do Brasil, fico contente por vocês/usted(s).

    Deve ser incrível disponibilizar de acesso a toda essa informação e lazer; o Brasil poderia efetuar ações como está. Boa parte de nós não gosta de ler, mas existe exceções.

    I have deep admiration for the charge of this iniciative.

    Tengo una profunda admiración por el responsable.(Sorry, but I only understand español,I don't speak very well.)

  1. Oi meninos!
    Obrigada pelos comentários.

    Ações como esta são exemplos, que devem se expandir pelo mundo.

    Cada vez mais devemos nos convencer de que a solução está na coletividade e não em partidos nem em políticos.

    Axé pra todo mundo.

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