"Brazilianism" no divã

Muita gente sabe como eu vim parar aqui, mas pouca gente sabe por que eu fiquei. Às vezes inclusive eu tenho essa dúvida. Graças a ela e à ansiedade que é parte de mim, esse ano comecei a fazer terapia.


Eu ia na psicóloga durante minha adolescência e lembro disso como uma das coisas mais legais que já fiz, mas relutava em fazer terapia com uma espanhola porque achava que ela não entenderia uma brasileira. Pensando um pouco, entendi que se a psicologia tivesse essas barreiras, as teorias de Freud ou Jung só funcionariam  nos países deles, né?


Então, eu comecei. Entre outras coisas, minha psicóloga e eu temos falado sobre as diferenças entre a minha cultura e a cultura que eu encontrei aqui.


Voltando ao princípio, eu fiquei na Espanha por causa de um espanhol. Aquela coisa de conhecer uma pessoa e acreditar que é o amor da sua vida e, como não existe força mais poderosa do que essa, minha vida agora está em Madri.


Acontece que viver com uma pessoa de um país diferente pode ser complexo. Quem é casado sabe que compartilhar a vida, a casa e a rotina com outra pessoa, tem momentos de altos e baixos. Cada um veio de uma família, teve uma formação e uma história... Imagine se essa pessoa nasceu em outro continente!


Então quando converso com a Mila (minha psaicow), volta e meia chegamos ao: eu acho isso e o Alberto acha assado.


O quê a Mila tá me explicando é que achamos o quê achamos, porque fomos "programados" para isso. Talvez nossos pais, tão liberais e modernos que são, não tenham nos ensinado as coisas tão daquele jeito... mas nos deram exemplos e nós vimos todo o nosso entorno atuando daquele jeito também. Então o daquele jeito, mesmo rejeitado por nós, estará conosco.


Quando vivemos em outro país, temos que ter esses "jeitos" muito bem identificados, para não corrermos o risco de não nos adaptar, de criar preconceitos, ou de não sermos felizes.


E por quê estou falando isso?


Porque esse processo está servindo para entender melhor a mentalidade do brasileiro, de onde eu vim e a maneira como pensamos.






Por isso publiquei essa imagem definindo o tal Brazilianism, ou Brasilianismo.  A Lua, que é curitibana e está há 5 anos na Austrália, compartilhou no Facebook e eu achei uma maneira muito bonita de entender e valorizar a maneira de ser e de viver do brasileiro. Nem melhor, nem pior. Apenas diferente.

5 comentarios:

  1. bru disse...:

    Estou bem feliz com a sua decisão de fazer terapia. Muda a vida e é o melhor investimento. Não existe chance de não ter retorno. hehe Eu adorei essa foto que compartilharam por aí...me identifico em muitas coisas. Beijoss

  1. Obrigada, guria!
    Na verdade foi a melhor coisa que eu fiz. Agora estou recomendando pra todo mundo. Realmente acho que todos os seres humanos medianamente inteligentes deveriam fazer terapia pelo menos uma vez na vida.

    beijo muito grande,
    Isa f.

  1. anlene gomes disse...:

    Oi Isabela, que legal que você rompeu com o receio de fazer terapia aqui. Eu ainda tenho, depois de 10 anos aqui, sinto falta às vezes deste tipo de "encontro" com a gente mesma, mas não me animei ainda... Bj

  1. Oi Anlene!
    tem sido uma experiência fantástica! aprendi mto sobre mim, pontos fracos e fortes, apesar de que ainda "queda mucho camino pror recoger"...
    Mudar é um trajeto longo e nem sempre simples, mas pode chegar a ser divertido.
    Se vc se animar, te dou o telefone da minha, que é uma crack!
    :)

    adorei sua visita.
    um beijo,
    Isa f.

  1. anlene gomes disse...:

    Que legal, fico feliz em saber. No Brasil fazia psicanálise, gosto muito, acho importante ter este momento só pra gente, para repensar a vida e as escolhas. Vou querer o contato sim. Com boas referências é sempre mais animador! Meu e-mail é lene.dmadrid@gmail.com. Bj e obrigada!

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