Não gosto de generalizar, mas essa coisa almodovariana de espanhóis gritando e discutindo, utilizando palavras de baixo calão com naturalidade e ofendendo-se mutualmente pode ser bastante real.
Quem passa por este quase-blog sabe que eu sempre comento que aqui dizem "a tomar por culo" na TV, às 4 da tarde, sem pudor, medo ou vergonha. Eles falam "mierda" no ambiente de trabalho e utilizam expressões como "gilipollas" como quem diz que tá #chatiado. O volume médio da voz da galera também é bastante elevado, o que se nota imediatamente nos bares, restaurantes ou dentro do ônibus, quando você escuta a vida inteira da tiazona que tá falando pelo celular. Isso às vezes irrita, mas quando você acorda de bom humor, pode ser bem engraçado.
O legal é que eles expressam tudo, jogam pra fora, batem boca, lavam a roupa suja onde for. Gritaria e confusão no meio da avenida.
Hoje encontrei este post, que me fez, literalmente, chorar de rir. Talvez só seja engraçado pra quem mora ou morou aqui, porque é tão surreal que é até difícil acreditar que realmente acontece. Mas é assim: eles são tão, mas tão briguentos, que são capazes de dizer todos os palavrões e gritos para os seus vizinhos em pequenos cartazinhos colados nas paredes dos seus edifícios - além de destapar situações quase tão absurdas quanto os cartazes em si (clique nas imagens para poder vê-las em tamanho maior).
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| Para os ladrões de papel higiênico, desejamos.... (mas antes, contamos nossa vida...) |
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| "Pues no me has pillado" - "Você não me pegou" |

Antes de vir morar na Espanha era uma grande fã do trabalho do Almodóvar. Utilizar o surrealismo como linha narrativa me parece sensacional. Lembro da cena de um dos seus filmes, quando um roteirista de cinema recortava notícias em um jornal para utilizá-las como argumentos para suas histórias. Ele procurava por temas curiosos, absurdos, intrigantes...
O modelo almodovariano de escrever e de conceptualizar histórias, normalmente são associados à Espanha e, por isso mesmo, muitos espanhóis não gostam do seu trabalho. Pelo que eu entendi, eles parecem pensar que relacionar a Espanha com o Almodóvar, é como relacionar o Brasil com a cultura do Rio de Janeiro, do samba e do Carnaval.
Mas o fato é que hoje, durante minha leitura matinal de blogs e notícias, encontrei uma história que deixaria as do Almodóvar no chinelo, e queria compartirlhá-la com vcs. Porque o naturalismo, o surrealismo e o absurdo não são exclusividades do cinema espanhol.... É só ligar a TV no Brasil, que a gente pode encontrar coisas muito mais bizarras ou divertidas do que vemos nas telas do excêntrico cinema europeu.
O texto é do jornalista Ricardo Aoki, catarinense de Itajaí, e dono do blog "Soco na Costela", um nome muito sugestivo.... Recomendo a navegação.
Ex-Pastor é ator de filme pornô gay
O programa segue, primeiro com uma matéria com a MárciaImperator. Para quem não sabe ela é uma das atrizes pornô mais bem pagas do Brasil. Ganha cerca de R$ 7 mil por filme e olha que tem jornalista que não ganha isso no ano. Mas isso é uma outra história. Depois vem uma matéria com uma superstar norte americana e finalmente a matéria com o pastor.
A entrevista começa com o repórter, que não me lembro o nome, andando em um jardim. De um lado o ex-pastor e do outro lado dorepórter a esposa do pastor. Mas para minha surpresa o cidadão, que também não me lembro o nome, deixou a igreja para virar atorpornô. Até ai tudo bem, mas o cara virou ator pornô gay. Tudo bem, não é preconceito, mas fiquei indignado com a esposa do cara, principalmente quando o cidadão disse que só faz filme passivo, e ela não tem ciúmes dele. Mas que não permitiria que ele fizesse filmes com mulheres.
Vejam que situação bizarra, a esposa deixa o cara fazer filme gaypassivo e diz que não sente ciúmes, porém se ele fizer filme com mulher ela fica com ciúmes. O repórter fica sem entender e pergunta várias vezes se ela não sente nada. A resposta é sempre que não. Dai o ex-pastor diz que é uma profissão e que o fato dele ser passivo não reduz sua heterossexualidade.????
Vai entender esse mundo. Tento não ser preconceituoso nesse blog, na verdade a crítica nem é preconceituosa. Parem o mundo que eu quero descer. Acho que são os fluídos de 2012 que já estão fazendo efeito na cabeça das pessoas. O que leva o cidadão a fazer mais de 300 filmes gays, na situação de passivo, ou seja, dando o toba e mesmo assim afirmar que não é gay? Por dinheiro? Acredito que o dinheiro, que nem é tanto assim, não é suficiente para uma pessoa se expor dessa forma. Está certo que muita gente vai dizer que éprofissional. Tudo bem, profissional que jeito? E olha que para me deixar surpreendido com as coisas mundanas é muito difícil. Mas essa, confesso que fiquei muito surpreso.
Afinal, ele faz o que bem entender com o seu cú. Faz parte, cada um sabe da sua vida. Mas se expor na televisão com a esposa e os filhos é demais. Quem está errado? Ele ou a emissora que mostra uma bizarrice dessas? Tem valor jornalístico? Eu tenho minhas dúvidas.




