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Sorria (de verdade)! Você pode estar sendo filmado

Uma reclamação constante aqui em Madri é sobre a quantidade de câmeras de "segurança" que se multiplicam pelas ruas e demais espaços públicos da cidade.
Eu, particularmente, sou contra a presença delas e entendo que são uma invasão à nossa privacidade e ao nosso direito de ir e vir no anonimato (este grande prazer cada vez mais esquecido e menos valorizado entre os amantes da internet). Além disso, elas impõe a política do medo e do controle... Nada de segurança de verdade, só ilusória.

Avisos pelas ruas de Madri


Mas como ando grávida-sensível, compartilho com os não-leitores deste não-blog um vídeo lindo que encontrei no Facebook dozamigo. Fala sobre as coisas fofas que acontecem todos os dias nas ruas de qualquer cidade e conta um pouco da poesia da vida e da capacidade de sermos humanos, quando achamos que estamos em pleno anonimato.



Sometimes, security cameras catch something totally different




Tá, vai, é uma campanha da Coca-Cola. Mas publicidade também pode - e deve - ser bonitinha.
E danem-se as câmeras. Se elas existem, que seja para ver a nossa cara feliz.

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Que não decidam por você

Este post é um comentário que eu pensei em escrever numa publicação feita no Facebook pelo jornal Gazeta do Povo. Trata-se de um editorial sobre a situação do direito ao aborto no Brasil.
Preferi não publicar o meu pensamento na publicação da Gazeta para me privar dos comentários preconceituosos que poderiam chover na maior rede social do mundo - que também é o maior reservatório de bobos de todo o planeta.
Aqui estão as 10 linhas sobre a minha opinião e experiência pessoal com o tema aqui na Espanha (o editorial da Gazeta vem logo abaixo).


"Na minha opinião a mulher deve ter o direito a decidir. Moro na Espanha há 5 anos, estou grávida de 4 meses e através do sistema público de saúde me fizeram todos os testes para saber se o meu neném tem síndrome de down ou de edwards. São exames que não são feitos nem sequer pelo sistema privado (ou planos de saúde) aí no Brasil. Conversei com médicos em Curitiba que me explicaram que se trata de "exames muito caros" e que por isso normalmente não se realizam.
Caso essas provas dessem positivo eu teria o direito de escolher. Teria o direito de fazer um aborto "gratuito", ou seja, pago pelo sistema público de saúde espanhol - isto sim, até a 21ª semana de gestação. Também teria o direito de seguir com a gravidez se assim eu e meu companheiro desejássemos.
Isso significa que eu teria direitos. Eu escolheria e poderia decidir- como mãe, mulher e cidadã -  o meu futuro e o futuro do meu bebê.
De todas as formas, fico feliz com a notícia que motivou a Gazeta a escrever este editorial - uma prova de que evoluímos como sociedade democrática - apesar da postura tão conservadora deste meio de comunicação."

Aqui está o tal editorial da Gazeta do Povo


A Eugenia avança:
Um novo retrocesso no reconhecimento da dignidade humana dos não nascidos foi dado no fim de agosto, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou que uma jovem realize o aborto de um feto de 16 semanas. A criança não foi concebida em um estupro, nem é anencéfala: ela sofre de síndrome de Edwards, doença causada pela existência de um cromossomo extra e que provoca uma série de problemas de saúde para o portador; apenas uma minoria dos bebês com esse problema chega a nascer com vida; desses, 90% morrem ainda no primeiro ano.
A solicitação de aborto havia sido acertadamente recusada na primeira instância, mas o caso foi levado ao TJ-SP, onde o desembargador Ricardo Tucanduva concedeu a liminar permitindo a eliminação da criança, pois a jovem alegava que a continuação da gravidez colocaria a vida da gestante em risco – uma alegação no mínimo controversa, tratando-se de gestações de filhos com síndrome de Edwards. O desembargador justificou sua decisão afirmando que o artigo 128 do Código Penal, que trata do crime de aborto, deveria ser interpretado com “flexibilidade” por estar em vigor há cerca de sete décadas.
Diante da falta de literatura médica (atestada inclusive pelo Instituto Nacional de Saúde norte-americano) que comprove a ligação entre a doença no feto e o risco de vida para a mãe durante a gravidez, resta a forte suspeita de que a motivação para o aborto seria mesmo a própria doença da criança, e não possíveis ameaças à integridade física da jovem – até mesmo porque, em caso de risco de vida para a mãe, a autorização judicial nem seria necessária. Um caso semelhante já havia ocorrido em Goiás, no ano passado, com uma gestante de 41 anos que também recebeu permissão para abortar após o diagnóstico de que seu filho tinha a síndrome de Edwards. É assustador perceber que, mesmo sem haver certeza absoluta sobre a ameaça à vida da mãe, nos dois casos decidiu-se pela eliminação da criança.
Também percebe-se que, apesar de o artigo 128 do Código Penal não ter sofrido alterações no Congresso Nacional, o Poder Judiciário vem tomando para si a atribuição de legislar sobre o tema, abrindo brechas no sentido de tornar a legislação cada vez mais permissiva. Com a ADPF 54, julgada no início de 2012, o aborto de anencéfalos passou a ser aceito; agora, eliminam-se crianças com outras anomalias genéticas graves; a julgar pelo ritmo de aceitação da eugenia intrauterina, é possível imaginar um futuro no qual passe a ser legal negar o direito à vida de crianças diagnosticadas com outras doenças e deficiências menos graves.
Na realidade, a perspectiva pode ser ainda pior, pois a proposta de reforma do Código Penal em avaliação atualmente no Senado prevê a liberação do aborto, em qualquer momento da gestação, nos casos em que a legislação atual já não pune a prática, com o acréscimo de situações em que o feto padeça de “incuráveis anomalias que inviabilizem a vida extrauterina”; e, até a 12.ª semana de gestação, o aborto ficaria liberado “quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade” – critérios puramente subjetivos e que, na prática, dão margem à legalização ampla da eliminação de nascituros. Em entrevista ao canal Globo News no início de setembro, o procurador Luiz Carlos Gonçalves, coordenador da comissão de juristas que elaborou o projeto de reforma do Código Penal, admitiu abertamente seu orgulho – e o de seus pares – em propor a legalização do aborto em termos tão amplos.
Além disso, segundo a proposta de Código Penal, nos casos em que a prática continua sendo crime, a pena deverá variar de seis meses a dois anos de prisão, contra os dois a quatro anos da legislação atual. Crimes ambientais contra animais silvestres ou de laboratório, no entanto, seriam punidos com prisão de dois a quatro anos. Uma legislação em que eliminar seres humanos ainda por nascer é uma falta considerada menos grave que a destruição de um ninho de pássaros revela, na melhor das hipóteses, uma falta de critério assombrosa – ou, na pior delas, um desprezo deliberado pela vida humana.
É fundamental que o Congresso rejeite a proposta de legalização do aborto feita pelos juristas coordenados por Gonçalves, e ao mesmo tempo também é urgente que o Poder Judiciário deixe de promover a eugenia e esticar a lei atual para além dos limites de sua interpretação. A vida dos seres humanos mais inocentes e indefesos precisa é de mais proteção, e não de novas ameaças movidas por uma mentalidade que só reserva o direito à vida aos “perfeitos” e “desejados”.

Quem quiser o link para o texto original, está aqui.


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Coisas que quem vem morar na Espanha nunca entenderá I

Já adianto: a lista é infinita.

Eu tentei recuperar algumas reflexões no twitter, mas foi impossível encontrá-las (se alguém conhece um caminho fácil, que me avise). Mas essas "coisas" passeiam entre o assassinato de toros em praça pública, o hábito de jogar toco de cigarro e guardanapo no chão dos bares, e o bigode do ex-presidente Aznar - apesar de que ele já fez a barba e o bigode ficou no passado.

Mas hoje meu lisitado foi enriquecido com uma aportação que acredito ser insuperável. Atenção ao título da notícia:

O neto do Rei, ferido gravemente depois de disparar acidentalmente no próprio pé, se recupera

O neto mais velho do Rei, de apenas 13 anos, sofreu um acidente quando praticava tiro junto ao seu pai, na sua fazenda privada em Soria. O menino foi operado e está internado em um hospital madrilenho.


"Criança", "arma", "Rei" (com maiúscula), "disparo" "pai", "fazenda privada"... tudo isso em uma mesma notícia... Só faltou explicarem que o menino está utilizando sistema público de saúde para sua recuperação, mas isso é lógico.

Tivemos que esperar algumas horas para que os principais jornais da Espanha publicassem outra notícia, onde a Guarda Civil explicava que uma criança de 13 anos não pode disparar ou manejar uma arma de fogo, nem sequer uma pistola de ar comprimido.

Ninguém explicou nada. Nem o Rei, nem o pai do piazinho, nem a polícia. Aliás, polícia falou que é proibido... mas não disse se o pai do guri de 13 anos vai ser investigado e que tipo de pena ele pode ou deve sofrer.

Pra quem ainda não entendeu, dizem que a Espanha é um país desenvolvido. Mas com esse post quero dizer que aqui existem problemas bem parecidos com os que temos no Brasil. É claro que eu posso explicar alguns deles, mas em outros casos - como esse - a própria história é a meia palavra que basta.


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A greve geral, os porteiros e as prostitutas

É a segunda greve geral que vivo na Espanha e dessa vez quase cheguei a vê-la, pois moro ao lado do trabalho e não uso o transporte público da cidade. Mas lembro muito bem da primeira - foi muito impactante para mim. Eu estava fazendo um curso fora da empresa onde trabalhava e tive que usar o metrô, que demorou muito para chegar. Os manifestantes faziam piquetes e senti um pouco de medo de que me dissesem alguma coisa por estar andando na rua, por não estar manifestando meu apoio a eles. Vi fábricas, lojas e restaurantes fechados e os trabalhadores segurando faixas e cartazes.

Naquela época eu trabalhava em um grupo de comunicação com postura bastante conservadora. Intereconomia era um dos alvos dos grevistas e naquele dia, o jornal La Gaceta nem sequer foi distribuído. Os piquetes impediram que os caminhões saíssem da gráfica.

Neste ano eu não posso dizer qual é o clima nas ruas, pois estou trabalhando e vendo tudo pela televisão. Não porque eu não apoie a greve, ao contrário: concordo com o quê os manifestantes e os trabalhadores dizem - apesar de estar contra os sindicatos.
Mas escrevo sobre a greve geral na Espanha porque é algo impressionante para uma pessoa que, como eu, vem de um país de apáticos que sempre diz que "sim" a tudo e não tem este espírito de coletividade para lutar pelos direitos de todos..

"O fracasso é um ponto de vista"

Esta manhã a oposição dizia que a greve foi um fracasso, com adesão de apenas 18 ou 20% da população. Você imagina uma manifestação na sua cidade em que 20% da população participe? Em Curitiba, cidade de onde venho, haveria mais de 50.000 pessoas na rua. Um amigo de lá me disse que na última manifestação contra a corrupção que ele foi não tinha nem 200 pessoas apoiando.

Por outro lado, os sindicatos dizem que mais ou menos 70% dos espanhóis aderiram à greve.

Foto publicada hoje no Twitter de @domigosanpedro, original de Gustavo Ribas. Mais e mais fotos aqui

Apesar de alguns distúrbios violentos e dos quase 60 presos (antes das 16hs), a greve é um direito e exercê-lo não está mal visto por aqui. Se respeita o "direito a fazer greve" ou o "direito a trabalhar" e isso foi uma das coisas que mais me chamaram a atenção. Na minha empresa, dias antes da greve, recebemos um e-mail do RH perguntando quem participaria da manifestação e quem trabalharia. Tudo bastante normal e sem pressão de nenhuma parte.

No Twitter, a apresentadora de um dos programas jornalísticos mais importantes do país, emitido pela televisão pública, explicava que hoje a TVE trabalhava com serviços mínimos: dois telediários emitidos ao longo do dia.

Por quê tudo isso? 

Existe uma motivação política que leva os Sindicatos a se posicionarem contra o governo. Mas os principais motivos da greve geral são as medidas austeras deste governo direitista com relação à política social do país (amigos residentes, me corrigam se eu estiver errada):
  1. Reforma Laboral
  2. Recortes na saúde pública
  3. Recortes na educação pública e diminuição dos salários de professores
  4. Possibilidade de privatição do Canal Isabel II, o serviço de água de Madri

Enquanto isso, a minha outra cidade, Curitiba, faz aniversário

São 319 anos e pelo menos os últimos 10, até onde minha memória alcança, são de desorganização, ignorância, marketing e corrupção. Tudo isso em uma cidade de quase 2 milhões de pessoas, onde muitos não têm acesso a serviços como saneamento básico e educação. Mesmo assim, o governo investe massivamente em publicidade para convencer todo mundo de que Curitiba é a Capital Ecológica, a Cidade Modelo do Brasil. Com tantos cartazes bonitos, os que têm educação e saneamento básico, parecem esquecer de que os demais são parte dessa mesma "cidade modelo".

Então, lá no "primeiro mundo brasileiro", só quem faz greve são porteiros e zeladores. Segundo a Gazeta do Povo, porteiros e demais funcionários dos condomínios de Curitiba pedem "reajuste de 15% e equiparação com os vencimentos dos profissionais do interior do estado". Como resposta, a presidente do Sindicato da Habitação e dos Condomínios, Liliana Ribas Tavarnaro, afirmou que não há condições para conceder reajuste, pois “condomínio não é empresa, não tem lucro”.

Enquanto a senhora Tavarnaro diz que condomínio não é empresa, a notícia que informa sobre a greve, acertadamente se refere aos zeladores e porteiros como profissionais e funcionários; portanto, pessoas que têm direito a exigir melhorias nas suas condições de trabalho - a escravidão acabou no Brasil lá por 1888 né? Mas parece que esqueceram de avisar à essa senhora que se ela não está disposta a pagar salários aceitáveis aos seus colaboradores, ela mesma pode abrir as portas do seu prédio e limpar o seu elevador. Tal e como fazem as pessoas nos países ela vai passar as férias com seu marido, achando tudo lindo, limpo e "exemplar".

Mas em Curitiba ninguém nem lê a notícia. Só se darão conta da greve quando não encontrarem ninguém para abrir as portas dos seus prédios. Na cidade modelo, quem não é modelo é invisível. Ou algum de nós vai se unir para apoiar a classe dos porteiros, que nem sequer são considerados funcionários pela própria presidente do Sindicato da Habitação e dos Condomínios?

 

E as prostitutas?

Na Europa, o direito à greve é utilizado até por aquelas que no Brasil são motivos de risadas, como as prostitutas. 

Ontem, as prostitutas de luxo fecharam as pernas e iniciaram um protesto para conseguir linhas de créditos às famílias carentes (!). Elas decidiram que não vão mais fazer sexo com banqueiros, com a intenção de "pressionar o setor" e querem que eles "cumpram suas responsabilidades sociais".

Os bancos, maiores responsáveis pela crise européia, parecem ter os seus dirigentes nos postos de trabalho pior vistos da atualidade. Ser filho da puta já não tem problema, elas têm dignidade.... e não a vendem para um banqueiro qualquer.


As prostitutas do "primeiro mundo" fecham as pernas e os porteiros da "cidade modelo" não abrem as portas. Enquanto isso, parte de Curitiba aplaude a sua própria hipocrisia e falta de educação, na celebração do seu aniversário.

Greve? O Brasil parece ter problemas chiques demais para se preocupar com política, recortes púbicos, direitos sociais ou educação. Na minha cidade no sul do sul do mundo, estão mais ocupados em exibir vídeos publicitários, enquanto deveriam estar lendo um livro para entender que criticar e se indignar é uma prova de amor muito maior do que maquiar problemas

Curitiba, orgulhosa de sua ascendência européia, não tem motivos reais para festejar seus 319 anos. Nossa modelo deveria aprender com  as prostitutas, com os porteiros e com os mais velhos (e a Espanha está dando exemplo hoje), que exigir dignidade, respeito e qualidade de vida para todos sim é um motivo para comemorar.

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Quando os elefantes sonham com a música

Ontem escrevi umas poucas linhas sobre o nosso ritmo: palavra-sentimento-sensação que nos identifica e nos une como brasileiros.


Mas tem muita gente que admira, sente e entende o ritmo brasileiro como nós. Pode ser que os extrangeiros abrasileirados não o dancem.. mas podem chegar a conhecê-lo até melhor do que a gente.


Foi aqui na Espanha que eu descobri o melhor programa de rádio de música Brasileira já ouvido! Aliás, foi aqui na Espanha que eu comecei a gostar de rádio de verdade, mas sobre isso eu vou escrever outro dia. Hoje, eu só quero deixar a recomendação do meu programa favorito, e que dá pra ser ouvido online: Cuando los elefantes sueñan con la música, da Radio 3.


http://www.rtve.es/alacarta/audios/cuando-los-elefantes-suenan-con-la-musica/cuando-elefantes-150212/1350227/

Música brasileira da melhor qualidade, informação e essa rara capacidade de fugir dos padrões de sempre. O programa viaja de Djavan à Hermeto Pasqual com toda a naturalidade do mundo.

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O Ritmo

Por mais coisas lindas, ritmos, canções, artistas e pessoas maravilhosas que existam por aqui, existe algo que os espanhóis, por mais abrasileiradas que cheguem a ter suas almas, jamais chegarão a ter:



(Especial atenção às palavras de abertura do vídeo. "(...) Na televisão de hoje em dia e na música, quanto menos conteúdo tiver, melhor... mas eu vejo que o público está carente de artistas que traduzam suas emoções". Grande Geraldo Azevedo.... isso é igualzinho na Espanha, no Brasil e na maioria de países do mundo. Obrigada velho Geraldo, por me recordar como é ter a alma leve e aquele brilho no rosto, com cheiro de praia, fruta e protetor solar).

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O acesso à Internet na Espanha

Em alguns países da Europa o acesso à Internet é considerado um "direito fundamental", acredita?

É sério. Por isso, todos os temas relacionados às Leis SOPA, PIPA e agora ACTA são importantes e tratadas diariamente pelos meios de comunicação. Logicamente eu acompanho com curiosidade, atenção e cuidado todas as notícias e com surpresa a pouca repercussão que elas têm no Brasil.

A votação da Lei Sopa foi notícia nas terras tupiniquins apenas uma ou duas semanas antes do blackout promovido pela Wikipedia e adotado por mais de 7 mil sites ao redor do mundo.

Da mesma maneira, o fechamento do site de hospedagem Megaupload foi uma notícia super relevante aqui no velho mundo. E continua sendo. Faz um mês que o site foi fechado (nesse momento eu faço o meu jabá) e um portal de informação financeira e econômica aqui em Madrid, me pediu para escrever um artigo sobre o quê aconteceu, o quê está acontecendo e o quê vai acontecer no mercado de conteúdo audiovisual e cultural pela Internet. Se você se interessa pelo tema, o link está aqui: Un mes sin Megaupload.



Se você ficou se perguntando: "Como assim, Internet direito fundamental"?


Pois olha: 
Na França isso aconteceu em 2009, quando o Conselho Constitucional da França decidiu que o acesso à internet era um direito humano fundamental. Segundo o Conselho, a publicação de opiniões na internet representa uma forma de liberdade de expressão.
Em junho de 2011 a ONU entendeu a mesma coisa. Mas o quê isso significa exatamente? Segundo o texto da ONU "os governos devem se esforçar para que a Internet seja amplamente disponível, acessível e "pagável" por todos. O acesso universal à Internet deve ser uma prioridade para os estados".

Os países mais desenvolvidos vão ainda mais longe: em 2009 a Finlândia decidiu que o acesso à internet banda larga (!) era um direito fundamental para os seus cidadãos.
Aqui em Madrid por exemplo, a maioria das praças públicas têm wi-fi grátis. Praticamente todos os restaurantes, cafeterias, bares e centros comerciais também. E no ano passado os ônibus públicos começaram a oferecer conexão gratuita pra todo mundo.


Duvida?
Então olha:

EMT é a Empresa Municipal de Transportes de Madrid


Eu já falei sobre o acesso à cultura nesse post lá no Tãmbler. Pode ser que você goste.

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A televisão na Espanha

Falar sobre a programação da tv de um país, é falar sobre um povo... da sua educação, do seu nível intelectual, cultural, social e também do seu grau de exigência para esses valores.

Eu escrevi no Tãmbler que a tv na Espanha é muito, mas muito ruim. Os telejornais são uma porcaria, parciais, superficiais, comprometidos com seus próprios interesses. As séries espanholas são feias, má produzidas, os roteiros são penosos. Só existe uma exceção: a televisão pública. Os demais programas de entretenimento têm um ar entre Silvio Santos, Gugu Liberato e Passa ou Repassa. Tudo é meio show de calouros, meio reallity, meio exagerado e fake. Os programas repetem formatos, enjoam e deixam claro que falta dinheiro. É a crise. Mas a culpa não é só dela... antes também era assim. Menos monótono, quem sabe. Mas era.

Para os interessados, meus amigos que trabalham no setor dizem que os programas aqui se dividem em 3 categorias: "amarillo", "rosa" e "blanco". Os amarelos são os sensacionalistas, os rosas, também conhecidos como "de corazón", são os de fofoca e os brancos são mais objetivos e procuram aportar conteúdo de qualidade.

Entre os amarelos e rosas se destacam (como não?) os reallitys e sobretudo o BBB, que esse ano estreiou sua 13ª edição (!!), com récode de audiência. Ultimamente o "ibope" do programa tem caído, o quê não é necessariamente uma boa notícia, pois os produtores amarelo-rosas da indústria televisiva espanhola não desistem. Os espectadores estão emocionados com o último lançamento:





Entre os participantes temos uma mãe que procura namorado para seu filho gay, uma ex prostituta que quer conquistar pacote gatinho + sogra e um monte de sogronas loucas para bater boca, lavar roupa suja e dizer palavrão na telinha.

Sim. Dizer: "a tomar por culo" na televisão espanhola, é normal. Mas tem coisa pior! Nesse tal de programa tem uma possível sogra que vetou o namoro do filho com uma candidata porque ela era negra. Sim, porque era negra. A coisa vai por esse nível.

Conto tudo isso porque reclamamos da tv brasileira. O quê quero dizer é que a televisão comercial e aberta é assim. E já disse que aqui existe uma única excessão; a tv pública. Você acharia normal ligar a TV Cultura e ver A Vida de Brian do Monty Python numa quarta feira qualquer? Deveria ser, né?
Aqui é. Ver a 1 ou a 2 normalmente é encontrar um copo d´agua no deserto. Um deserto quente, infinito e internacional.


(Mais? No Tãmbler!)