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Mão na bunda

Lembro a primeira vez que um menino tocou na minha bunda. Eu quis matá-lo.
Lembro da segunda, numa festinha americana. Eu pensei que iria para o inferno, que minha alma se queimaria para sempre, que meu karma seria afetado e que minha mãe nunca mais voltaria a falar comigo.

Um par de décadas depois eu vim morar na Espanha e não sei muito bem o que as mães espanholas ensinam para as suas filhas. Logo que cheguei em Madrid percebi que menin@s das mais diversas idades e classes sociais vão pela vida com a mão d@s seus/suas respectiv@s marid@s, gatinh@s e namorad@s; bem colocadona encima de suas busanfas.

Aqui não rola agarra-agarra, sabe? É muito difícil ver um casal se beijando em público, mesmo se forem namorados ou casados, jovens ou maduros. Acho que quem faz isso é, assim, super mal visto. Mas é muito comum você ver pessoas andando ou abraçadas e uma com a mão na bunda da outra.

Eu aviso porque aqui a bunda tá bem desmistificada. Os espanhóis dizem "culo" como quem diz, "nádega" e até na televisão você pode ouvir, às 3 horas da tarde, um personagem de uma série dizendo "vete a tomar por culo" para o seu vizinho.

Aviso às amigas (e amigos) que vierem pra cá e ficarem com um(a) gatinh@: não precisa ficar histéric@ se a mão da pessoa baixar um pouquinho. Mas beijar na boca de língua, em lugar público, fica chato. Fica a dica, né? É bom pra não mal-interpretar ninguém e pra conhecer as diferenças culturais das bundas do mundo.

No Brasil dizem que opinião e bunda, cada um tem a sua. Na Espanha ela é bem menos importante do que um bom beijo na boca.



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El Spanglish

Tal e como nós temos o portunhol e não nos envergonhamos dele, os espanhóis têm o spanglish. A verdade é que eles não falam inglês e a maioria dos espanhóis que diz que fala, fala mal.

Existem algumas coisas chochantes, como por exemplo escutá-los dizer "Udos", no lugar de "Iutchu", ou "Wifi", em vez de "Uaifai". Mas mais chocante ainda é você dizer "Aipéd" e as pessoas ficarem te olhando com cara de "hummmm olha essa querendo mostrar que sabe", ou combinar de ir em um "Airish Pãb" e ver a caras deles de "hein, o quê"? E vc repetir Airish Airish Airish até que o cabra diga: "Ahhhhh, Irish Pub", com o I sendo I e o U sendo U.

Essas coisas são complexas. Tem gente que diz que é de propósito, mas temos que lembrar que eles viveram em uma ditadura militar durante muitos anos e o inglês não era um idioma necessário, cotidiano, nem usual para os espanhóis. Além disso, antes da ditadura franquista, que terminou em 1975, eles viveram uma Guerra Civil, que terminou em 1939. Depois que Franco morreu, veio o Rei que provavelmente só fale espanhol mesmo, e bom... o inglês é algo que deve existir por aqui há pouquíssimo tempo.

Por causa do protecionismo cultural normal nas ditaduras, a música, o cinema ou os livros americanos (e de qualquer outro país) não eram comuns e muitos deles chegavam à Espanha através de civis que viajavam e traziam as novidades nas suas malas. O cinema até hoje é dublado, e para nós, que gostamos dos filmes em versão original, acaba sendo complicado encontrar salas onde vê-los. É sério, até nos cinemas os filmes são dublados. E o mais estranho é que a maioria dos espanhóis defendem a dublagem, até aquela pessoa bem legal que você imagina como o cool de plantão. E o pior é que vários estão orgulhosos da dublagem espanhola: "Temos os melhores dubladores do mundo"... já cansei de ouvir. E de discutir também, né? Deixa eles...

O fato é que por causa de tudo isso, os espanhóis têm bem pouco contato com a língua do Tio Sam. E com a cultura também. Claro que existem Mc Donald´s e Starbucks por aqui, mas a maioria dos espanhóis vão preferir as suas cafeterias de bairro e o bocadillo de calamares do boteco da esquina.

Claro que as coisas estão mudando devagarzinho e o inglês pouco a pouco vai fazendo parte do cotidiano. Por exemplo, ontem fui almoçar no Vip´s com o Alberto e ele pediu o prato "Vips Club", eu pedi o "Vips Club Neiture".
O mocinho anotou o pedido dizendo: "Media ensalada Siciliana, un Vips Club y un Vips Club Na-tu-re". Nature, com o A, o U, e o R bem pronunciadinhos como se fosse em espanhol.

É que dá a impressão de que eles estão se abrindo e que querem aprender... mas quando você fala diferente, o orgulho espanhol parece ficar ferido. Por causa disso, nessa minha aventura imigrante, eu sou dessas que começou a falar Ratón mesmo sentindo dor de ouvido e a delícia (?) ao escutá-los dizer que adoraram el concierto del ACÊ/DÊCÊ.

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Expressões I

Adoro expressões, figuras de linguagens, onopatopéias e outras invenções fonético-idiomáticas. Por isso vou publicar uma lista das minhas favoritas aqui na Espanha. Como gosto de comparar, também vou escrever sobre as brasileiras que não têm tradução; mas isso em um outro dia.

Começo por uma expressão em castelhano e que é a minha favorita:

"Más raro que un perro verde"


Algo como: Mais estranho que um cachorro verde, em português.

[Atualização] Para os apaixonados pela lingüística, pelas palavras e pelo português, recomendo o Tãmbler da minha amiga Bruna Castro: O Melhor do Português (as palavras que os estrangeiros adoram). Tenho certeza que vc vai gostar.