Morar em outro país é descobrir que uns argentinos fizeram uma versão quase tão boa quanto a original, para uma das suas músicas favoritas - e entender a transcendência de uma história que eu pensei que fosse só nossa, mas que na verdade é do povo, de qualquer povo.
Para eles nós somos só um bando de ladrões, de bichas e maconheiros. Mas não nos sintamos sozinhos... isso é comum em toda a América Latina. E é igualzinho nesta parte da Europa.
Importante comentar que Beirsuit Vergarabat não é, em absoluto, uma banda de uma só canção. Grande grupo formado nos anos 80, chegando ao êxito no final dos 90, eles misturam rock com outros ritmos latinos como o tango e a salsa, sempre mantendo firme um necessário discurso crítico à política e à sociedade.
"El tiempo no para" é um dos seus trabalhos mais reconhecidos, mas não posso deixar de recomendar as belíssimas Mi Caramelo e Un Pacto.
Cambiar el Alma e La Bolsa mostram a outra cara dos Beirsuit - uma das referências do rock argentino. Da mesma época em que o Brasil ouvia o coquetel Cazuza-Barão-Ultraje-Legião-Lobão-Titãs (quantos "ã" na quela época, né?) e outras pérolas.
Mais posts de artistas argentinos que adoro:
Fito Paez e seu piano
Los Rodriguez - Hace Calor
Sinto saudades de dançar.
Gosto de sair e de balançar a cabeleira, as cadeiras e de dar risada.
Gosto de levantar o copo bem alto e que caia cerveja, sem querer, lá de cima.
Gosto de ver a galera se chacoalhando e de entrar no mesmo ritmo.
Gosto de abraçar o meu gatinho e de rodopiar.
Os espanhóis não gostam. Eles gostam de escutar a música. E eu acho que eles gostam de ver a gente dançando. Mas eles não dançam.
Não tenho certeza, mas acho que o espanhol é muito envergonhado. Eles não têm vergonha de gritar quando falam no telefone, nem de discutir alto, mandando quem está do lado prá-quele-lugar. Mas eles não se abraçam muito, não falam muito dos seus sentimentos, nem dançam.
Eles não se movem no ritmo da alma, não expressam o quê sentem rebolando e deixando os problemas pra lá.
Tenho saudades de ir num show e de ver todo mundo pulando, de ver os loucos dando mosh, de ficar com vontade de invadir o palco e de voltar pra casa sem voz.
Também sinto falta de ir em bar com música ao vivo. Aqui não tem muitos, sabe? Ou você vai num show, ou vai num bar. Bar, com mesinhas, música e que vc possa levantar pra dançar enquanto os outros pedem uma cerveja, faltam por aqui.
E me pergunto... Dançar no pensamento também se chama "saudade"?
No era día de escribir, pero escuchar a Fito Paez me hace tener ganas de contarle a todo el mundo lo maravilloso que es conocerle.
Fito é um cantor, compositor, pianista e intérprete argentino que morou muitos anos em Madri, um apaixonado pelo Brasil que entrou na minha vida lá pelo ano 2009, quando eu já morava na capital.
Tem umas 2 ou 3 canções suas que me geraram aquele sentimento de identidade, sabe? Em 2009 eu estava me conhecendo ao mesmo tempo que conhecia Madri, a independência de finalmente morar sozinha em um apartamento de 25 metros quadrados, sem elevador, sem forno, mas com a delícia de ser completamente independente. Eu morava na calle Princesa, ao lado da Gran Vía, quase na frente da Plaza España, e tinha meu primeiro trabalho legal pra caramba, do jeitinho que eu queria. Todos os dias conhecia pessoas novas e só conseguia olhar pra frente. E via um futuro brilhante e divertido.
Fito foi parte da época em que conheci o Alberto e andávamos juntos pela Gran Vía ouvindo as músicas que ele tinha no iPod. Era inverno, a gente andava rápido e abraçados, vendo as pessoas e sorrindo grátis para todo mundo.
Em 2011 eu ganhei um par de entradas em um sorteio (sou boa nisso!) para o show do Fito num teatro lá naquela mesma Gran Vía que tinha sido a minha estrada de todos os dias, apenas alguns anos antes.
O show do Fito foi tão legal quanto eu imaginava. Ele tem muita energia ao vivo e conta histórias com o seu piano. Mistura bossa, dor, alegria, rock, Titãs, Barão Vermelho, Calamaro, Caetano, música clássica e samba.
Naquela época, essas eram as canções dele que eu gostava de verdade, porque foram as músicas que me ajudaram a construir uma etapa da minha vida..
Mas hoje eu descobri esse disco (Canciones para Aliens), que tem um tango gravado com o Chico Buarque, uma versão fantástica de "Construção" e uma preciosa interpretação de Va, Pensiero, de Verdi. Na verdade é todo um álbum de versões, com uma interpretação absolutamente emocionante de Somebody to Love do Queen, que se chama Las dos caras del Amor.
Fito é desses artisas que surpreendem porque não se prendem a nenhum estilo, além do seu próprio. Mas mais do que isso, é desses intérpretes e compositores que te ensinam e mostram novos caminhos da música.
Um argentino, com alma brasileira, espanhola, sul-americana, européia. Quem o conhece como é "estar ao lado do caminho, inalando a fumaça enquanto tudo acontece.. que gosta de abrir os olhos, estar vivo e encarar a ressaca".... Mas mais do que isso... Paez foi o único cara que conseguiu traduzir o sentimento de "voltar do esquecimento para lembrar dos sonhos da minha casa, da criança que jogava bola"... E escutar o que Fito fala sobre mim mesma, sempre me emociona.
regálame tu beso y no te aflijas
si ves que estoy pensando en otra cosa
no es nada malo, es que pasó una brisa
la brisa de la muerte enamorada
que ronda como un ángel asesino
mas no te asustes siempre se me pasa
es solo la intuición de mi destino
Adoro estreiar seções. A de hoje é para a falar sobre música.
Tudo aquilo que eu conheci de melhor na Espanha, como recomendação para os leitores com ouvidos curiosos e ávidos de novidades. Claro, eu sou a melhor referência para isso (risadas!).
Nada melhor do que começar a falar sobre música no dia em que tenho uma alta carga de cafeína e açúcar no sangue. Un subidón, como dizem os espanhóis.
Tá calor! Sim, calor! Você que mora no Brasil talvez não saiba que aqui tava frio desde novembro do ano passado. Imagina? Pois finalmente eu tô de blusa de manga comprida e tô incômoda, suando, reclamando do clima, como faz todo chato, digo, curitibano que se preza. Lindo demais.
Dá vontade de tomar cerveja, de assumir meu lado mais volátil:
a veces estoy, mal, a veces estoy bien...
Te doy mi corazón para que juegues con él!
...mais canalha:
yo estaba esperando que cantes mi canción
y que abras esa botella
y brindemos por ella
y hagamos el amor en el balcón
... e de dançar. Daquele jeito sabe? De quando é sexta-feira, quase uma da tarde. De quando soa como isso:
Iremos a un hotel, iremos a cenar
pero nunca iremos juntos al altar
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PD. A intenção da "seção" de música é falar, de maneira erudita, séria e jornalística, de bons artistas e boas canções que conheci por aqui, Mas... qué coño?! Hoje é sexta-feira, tá calor e eu tô bêbada de café. bom fim de semana!
Ontem escrevi umas poucas linhas sobre o nosso ritmo: palavra-sentimento-sensação que nos identifica e nos une como brasileiros.
Mas tem muita gente que admira, sente e entende o ritmo brasileiro como nós. Pode ser que os extrangeiros abrasileirados não o dancem.. mas podem chegar a conhecê-lo até melhor do que a gente.
Foi aqui na Espanha que eu descobri o melhor programa de rádio de música Brasileira já ouvido! Aliás, foi aqui na Espanha que eu comecei a gostar de rádio de verdade, mas sobre isso eu vou escrever outro dia. Hoje, eu só quero deixar a recomendação do meu programa favorito, e que dá pra ser ouvido online: Cuando los elefantes sueñan con la música, da Radio 3.
http://www.rtve.es/alacarta/audios/cuando-los-elefantes-suenan-con-la-musica/cuando-elefantes-150212/1350227/
Música brasileira da melhor qualidade, informação e essa rara capacidade de fugir dos padrões de sempre. O programa viaja de Djavan à Hermeto Pasqual com toda a naturalidade do mundo.
Por mais coisas lindas, ritmos, canções, artistas e pessoas maravilhosas que existam por aqui, existe algo que os espanhóis, por mais abrasileiradas que cheguem a ter suas almas, jamais chegarão a ter:
(Especial atenção às palavras de abertura do vídeo. "(...) Na televisão de hoje em dia e na música, quanto menos conteúdo tiver, melhor... mas eu vejo que o público está carente de artistas que traduzam suas emoções". Grande Geraldo Azevedo.... isso é igualzinho na Espanha, no Brasil e na maioria de países do mundo. Obrigada velho Geraldo, por me recordar como é ter a alma leve e aquele brilho no rosto, com cheiro de praia, fruta e protetor solar).
Em alguns países da Europa o acesso à Internet é considerado um "direito fundamental", acredita?
É sério. Por isso, todos os temas relacionados às Leis SOPA, PIPA e agora ACTA são importantes e tratadas diariamente pelos meios de comunicação. Logicamente eu acompanho com curiosidade, atenção e cuidado todas as notícias e com surpresa a pouca repercussão que elas têm no Brasil.
A votação da Lei Sopa foi notícia nas terras tupiniquins apenas uma ou duas semanas antes do blackout promovido pela Wikipedia e adotado por mais de 7 mil sites ao redor do mundo.
Da mesma maneira, o fechamento do site de hospedagem Megaupload foi uma notícia super relevante aqui no velho mundo. E continua sendo. Faz um mês que o site foi fechado (nesse momento eu faço o meu jabá) e um portal de informação financeira e econômica aqui em Madrid, me pediu para escrever um artigo sobre o quê aconteceu, o quê está acontecendo e o quê vai acontecer no mercado de conteúdo audiovisual e cultural pela Internet. Se você se interessa pelo tema, o link está aqui: Un mes sin Megaupload.
Se você ficou se perguntando: "Como assim, Internet direito fundamental"?
Pois olha:
Na França isso aconteceu em 2009, quando o Conselho Constitucional da França decidiu que o acesso à internet era um direito humano fundamental. Segundo o Conselho, a publicação de opiniões na internet representa uma forma de liberdade de expressão.
Em junho de 2011 a ONU entendeu a mesma coisa. Mas o quê isso significa exatamente? Segundo o texto da ONU "os governos devem se esforçar para que a Internet seja amplamente disponível, acessível e "pagável" por todos. O acesso universal à Internet deve ser uma prioridade para os estados".
Os países mais desenvolvidos vão ainda mais longe: em 2009 a Finlândia decidiu que o acesso à internet banda larga (!) era um direito fundamental para os seus cidadãos.
Aqui em Madrid por exemplo, a maioria das praças públicas têm wi-fi grátis. Praticamente todos os restaurantes, cafeterias, bares e centros comerciais também. E no ano passado os ônibus públicos começaram a oferecer conexão gratuita pra todo mundo.
Duvida?
Então olha:
Fazem semanas - ou talvez até mais tempo - que eu estou publicando informações em pequenas doses, no meu timeline do Facebook.

