Ontem eu estava aqui trabalhando enquanto o pessoal combinava de sair. Daí meu chefe disse pra menina nova: "você vem, né?". Ela disse que não podia. Como ele insistiu, ela respondeu educadamente: "é que eu e a minha namorada temos um compromisso neste fim de semana".
Meu chefe é meio certinho e sei que ficou chocado, mas não disse nada. Só cometou comigo depois: "você viu?" e deu uma risadinha meio nervosa. Eu respondi pra ele que achei muito legal: "o que você queria, que ela mentisse?".
Na verdade, eu fiquei muito orgulhosa. Pela menina, pela namorada dela, pela minha empresa, e por saber que uma sociedade pode chegar a ser tão civilizada.
Um aplauso para todos.
A subida de preço da gasolina em Curitiba teve mais repercusão nas redes sociais do que a chegada do calor "insuportável" de 30º (!) na cidade sorriso.
Como decidi parar de reclamar no Facebook - para ser um pouco diferente das pessoas comuns -, transferi minha frustração-expatriada para este blog, onde comentarei com os meus caros não-leitores, o quê eu penso sobre o tal assunto:
... válido é reclamar da falta de qualidade do transporte público da cidade em vez de queixar-se do preço da gasolina.
Lembrem que o transporte público é público e exigir melhoras ao Estado é um direito (eu diria até mesmo "dever") do cidadão. O posto de gasolina é uma entidade privada de algum cara que quer ficar rico às custas de um Governo que não faz bem o seu trabalho. O posto não tem nenhuma razão para cobrar um preço justo pelo seu produto ou serviço.
É claro que você pode fazer uma reclamação no Procon.. mas você sempre vai ser vítima de um empresário oportunista - nenhum Procon pode nos salvar disso.
O sistema público sempre será público, e nosso. É a diferença entre "público" e "privado". Só por isso deveríamos nos apropriar dele para sempre - ou pelo menos enquanto somos obrigados a pagar os impostos que mantém - ou deveriam manter - estes serviços vivos.
Das coisas que mais gosto de morar aqui desse lado do mundo é de ter a opção de não ter um carro. Reforço: não tê-lo como uma opção e não por falta dela. E isso só acontece porque os cidadãos espanhóis exigem os seus direitos e fazem com que os políticos cumpram os seus deveres.
Bem mais simples do que exigir que o dono do posto te venda gasolina barata. Não deveria ser?
Hoje me contaram (sim, estou lendo poucas notícias) que saiu na Veja (¡uy!) que o Lula pediu para adiar a investigação sobre o mensalão. Minha primeira sensação foi (desculpem a sinceridade) de nojo. Um nojo cru, puro e sincero. É difícil você estar há tanto tempo longe, vendo todo mundo falando maravilhas do seu país e saber que na verdade nada mudou. Simplesmente existe mais dinheiro por lá e pronto. Tem trabalho pra todo mundo e os ricos que investirem por lá serão ainda mais ricos. Depois que eles arrancarem toda a grana do país, pegarão suas coisas, euros, dólares, ienes e reais e explorarão outros mercados.
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| Legal né, Lula? |
Se impressionar com isso é ingenuidade e se deslumbrar chega a ser feio; coisa de novo rico que fica de nariz empinado, se sentindo o melhor do que os outros, que são como ele era, só porque agora tem mais grana. O dinheiro infla o ego das pessoas. Sabemos que é assim e isso está acontecendo com muitos brasileiros. Apesar de ser compreensível é um pouco triste e bastante chato.
Mas por quê estou falando tudo isso?
Porque depois desse sentimento inicial de desprezo aos políticos do meus país e à passividade da sociedade em geral, li uma notícia sobre a Espanha que me parece ainda pior: Um diretor do Bankia tem direito à 14 milhões de indenização.
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| Nos dan por todos los lados, en todos los países, siempre. Indignarse es poco. |
A maioria do pessoal nem deve saber, mas com a tal da crise na Espanha, um banco privado foi resgatado com dinheiro público. Ou seja: com a minha grana, meus impostos, meu salário, meu trabalho.
O Estado pagou 23,5 bilhões de euros para salvar um banco privado, que foi nacionalizado, gerando um custo médio de €1.300 por contribuinte e que não sabemos se algum dia vai gerar algum benefício público. Com tudo isso, esse mesmo banco vai pagar 14 milhões de euros para um ex-diretor. Ficou indignado? Então...
Isso nem é tudo. Estamos vivendo um recorte completo em todo o estado de bem estar: aposentadorias, educação, saúde pública.. Pouco a pouco tudo isso vai pro brejo. Com muito esforço, podemos entender os recortes, mas essa injeção em um banco privado, não. Imagina saber que parte dessa grana vai pra pagar a indenização de um dos caras responsáveis pela quebra da instituição.
Eu precisava escrever estes parágrafos porque precisava ser justa e mostrar pra mim mesma e para todos os brasileiros infelizes com as grandes injustiças do nosso país, que aqui, onde eles chamam de "primeiro mundo", tem uma grande quantidade de merdas iguaizinhas às que estamos acostumados a jantar durante o Jornal Nacional.
Em linhas gerais, os brasileiros e os espanhóis são culturalmente bem parecidos. Temos alguns pontos diferentes, como o temperamento, que do brasileiro é mais alegre. Mas no geral, brasileiros e espanhóis gostam de rir, comer, beber e estar rodeado de amigos e da família.
Mas tem uma coisa que é bem diferente e que, mesmo depois de 4 anos morando aqui, continua me chocando. É a pergunta "quanto você ganha?"
Não importa o nível de confiança, amizade ou intimidade que você tenha com uma pessoa. Que te perguntem "quanto você ganha", "quanto você paga de aluguel" ou "qual o salário do seu marido" é violento.
Todos os amigos que eu tenho na Europa estão na minha vida há não mais do que 4 anos. Construí relações sólidas que levarei para sempre com espanhóis, chilenos, argentinos, equatorianos, venezoelanos, italianos e também com muitos e muitas brasileiras, incluindo curitibanos.
Muitos dos meus amigos do Brasil o são desde antes de eu saber falar direito. Tem os piás lá da rua, a amiga que estudou comigo no Viva Vida, gente que eu conheci no Tistu, muitos amigos do Positivo, da Faculdade, da Pós, das épocas dos namorados ou trabalhos antigos. Nenhum deles nunca me perguntou quanto eu ganhava. Eu não sei quanto a maioria deles ganha. Na Espanha, em meia hora de conversa, alguém pode te lançar a pergunta que me deixa gelada e sem resposta.
Veja bem, se trata de algo tão intrigante que me fez escrever um até um post! Eu sei o salário de alguns dos meus amigos no Brasil e também de alguns espanhóis. Em todos os casos, e incluo minha irmã, meus pais e meu namorado-marido, foram eles que quiseram, de maneira natural, me contar.
Quanto você ganha? Mas e o aluguel, quanto é? Juro que nunca vou entender o quê leva uma pessoa a perguntar coisas assim e de onde ela tira coragem para tal questionamento inquisitório.
Deixo aberto os comentários para que vocês lancem suas apostas. E não, por favor, não precisam incluir números. O quanto cada um ganha é problema seu.
Os brasileiros que são demasiado púdicos e se sentem incômodos ao falar do seu dinheiro, os espanhóis serão muito abertos com o tema ou esse pessoal do lado de cá, simplesmente, quer argumentos para fofoca? :)
O Dia Internacional da Mulher já passou e apesar de ser um dia que nunca me chamou especial atenção, esse ano o 8 de março teve alguma relevância filosófica para mim.
Notei que se trata de uma data importante lá no Brasil, vi muita gente comentando nas redes sociais e muitas marcas utilizando o argumento para fazer publicidade.
Comecei a ver que o tom das declarações eram sempre parecidos: "Todos os dias são dias das mulheres", "Mulheres, vocês são lindas", "Vocês fazem nossa vida mais bonita"... muitos agiam como se fosse o dia dos namorados ou o dia das mães, e por outro lado, mulheres e meninas reforçavam que são elas que dão à luz, cozinham, lavam, passam e trabalham, e que, claro, por isso merecem o carinho e admiração de seus companheiros e da sociedade.
Na Espanha ouvi comentários como "e o dia do homem quando é? Se somos todos iguais....", e os dois únicos emails que recebi de parabéns começavam com "Feliz dia da mulher Trabalhadora", pois assim se chama o dia 8 de março por aqui.
Tamanha diferença me fez refletir e ter vontade de comentar nas publicações dos meus amigos do Facebook. Uma menina me etiquetou em um vídeo dedicado à beleza e sensualidade da mulher brasileira, "a mais bonita do mundo" (!!?). Tive vontade de responder, mas me auto-censurei. Sabia que por mais suave que eu fosse, soaria a "feminazi" para a maioria das pessoas nas minhas listas de contatos. Então resolvi ser objetiva... e com um pouco de receio disse:
"Vale lembrar que o dia da mulher existe para homenagear àquelas que lutaram pela melhoria das nossas condições de vida e de trabalho, para que nós pudéssemos participar, com igualdade, na sociedade e no seu desenvolvimento.
No dia 8 de março a gente deve lembrar de continuar dando sentido aos nossos direitos e ao nosso trabalho.
Ganhar flor é legal, mas a gente merece mesmo é "respeito".
Sendo assim: Feliz dia Internacional da Mulher pra todo mundo :)"
Não falei sobre alguns grandes problemas da sociedade brasileira que poderiam ser debatidos nessa data: o sexismo, a violência sexual, a prostituição infantil, o maltrato contra a mulher, o maltrato psicológico, além de todos os preconceitos que enfrentamos no mercado de trabalho. Eu queria falar, mas não disse nada porque acho que a nossa sociedade não está preparada para debater esses temas com maturidade. Se no Dia Internacional da Mulher eu me metesse a propor um debate sobre a diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil por exemplo, eu seria taxada, no mínimo, de chata.
Mas tudo bem. A gente sabe que o Brasil ainda é um país muito machista e sobre o machismo eu vou escrever por aqui em algum momento. Enquanto isso, resumo meus pensamentos sobre o 8 de março com essas duas fotos - também vistas no Facebook de meninas que moram por aqui:
Falar sobre a programação da tv de um país, é falar sobre um povo... da sua educação, do seu nível intelectual, cultural, social e também do seu grau de exigência para esses valores.
Eu escrevi no Tãmbler que a tv na Espanha é muito, mas muito ruim. Os telejornais são uma porcaria, parciais, superficiais, comprometidos com seus próprios interesses. As séries espanholas são feias, má produzidas, os roteiros são penosos. Só existe uma exceção: a televisão pública. Os demais programas de entretenimento têm um ar entre Silvio Santos, Gugu Liberato e Passa ou Repassa. Tudo é meio show de calouros, meio reallity, meio exagerado e fake. Os programas repetem formatos, enjoam e deixam claro que falta dinheiro. É a crise. Mas a culpa não é só dela... antes também era assim. Menos monótono, quem sabe. Mas era.
Para os interessados, meus amigos que trabalham no setor dizem que os programas aqui se dividem em 3 categorias: "amarillo", "rosa" e "blanco". Os amarelos são os sensacionalistas, os rosas, também conhecidos como "de corazón", são os de fofoca e os brancos são mais objetivos e procuram aportar conteúdo de qualidade.
Entre os amarelos e rosas se destacam (como não?) os reallitys e sobretudo o BBB, que esse ano estreiou sua 13ª edição (!!), com récode de audiência. Ultimamente o "ibope" do programa tem caído, o quê não é necessariamente uma boa notícia, pois os produtores amarelo-rosas da indústria televisiva espanhola não desistem. Os espectadores estão emocionados com o último lançamento:
Sim. Dizer: "a tomar por culo" na televisão espanhola, é normal. Mas tem coisa pior! Nesse tal de programa tem uma possível sogra que vetou o namoro do filho com uma candidata porque ela era negra. Sim, porque era negra. A coisa vai por esse nível.
Conto tudo isso porque reclamamos da tv brasileira. O quê quero dizer é que a televisão comercial e aberta é assim. E já disse que aqui existe uma única excessão; a tv pública. Você acharia normal ligar a TV Cultura e ver A Vida de Brian do Monty Python numa quarta feira qualquer? Deveria ser, né?
Aqui é. Ver a 1 ou a 2 normalmente é encontrar um copo d´agua no deserto. Um deserto quente, infinito e internacional.

Os nerds eram mal vistos nos anos 1990. Nos anos 2000 surgiram os
Geeks, que nos anos 2010 se tornaram os donos do mundo.
É verdade que muitos deles não estudaram. Zuckenberg, por exemplo, abandonou a faculdade antes de se formar. O
Todos tiveram uma vida social difícil durante sua juventude.
Eu não estudei - e incluo isso na minha pequena lista de arrependimentos. Porém, acho que ainda posso recuperar o tempo perdido, e por isso tento reverter minha frouxa formação intelectual com muita leitura, cursos, palestras e, principalmente, me rodeando de gente que sim estudou e que por isso é mais inteligente que eu (obrigada Raul, Alberto, Claudinha, Ernesto, Sérgio, Adriane, Alex....)E concordo com o que a foto diz: a maioria das pessoas não estuda no Brasil. As pessoas decoram para as provas, passam de ano, colam, fazem vestibular, pegam um diploma e vão trabalhar.
Logo, não inovam, não mudam, não transformam. Uma das coisas que aprendi por aqui é que todos esses processos estão relacionados ao estudo.
Seja ele formal, em uma escola ou universidade, ou informal, na sua casa, na mesa do bar, na leitura de um livro que te apaixone. Eu, informal que sou, optei pelo segundo caminho... essem dos incompreendidos, que lêem só o quê gostam, tomam vinho enquanto tentam escrever um livro, riem com amigos enquanto têm idéias para salvar o mundo ou que navegam por blogs para aprender novos pontos de vista.
E também discordo da foto quando trata o tema de maneira tão genérica. No Brasil tenho visto gente fantástica fazendo trabalhos incríveis, desenvolvidos com boas idéias, muito suor e uma base de estudos estruturada, seja ele do tipo que for.
Foto: reprodução do Tãmbler
Não era a primeira vez que eu ia a um estádio de futebol. Muito pelo contrário, eu cresci indo aos jogos do meu time junto com o meu pai. Sei como nos sentimos no campo... a emoção de gritar Gol, a raiva do juiz, a cumplicidade com o torcedor ao lado.
Mas vamos ao que interessa: o futebol
O futebol europeu não se resume a "ópio do povo". O futebol aqui é negócio – maduro e rentável
Fora de campo, com algumas exceções, vemos uma sociedade civilizadaNão existe fosso em volta do gramado, algo que o Grêmio já está implantando em sua nova arena, e não vi polícia federal, apenas seguranças privados. É claro que a torcida é exigente, mas ninguém joga pilha e nem copo na cabeça dos outros. Aliás, duas filas atrás da minha, estava um casal com a camisa do Barcelona. Nos estádios europeus, apesar de existirem pequenas áreas reservadas para os visitantes, muitos deles se misturam com torcedores da outra equipe.
Dentro de campo, um jogo muito agressivo, de corpo a corpo direto, velocidade e passes objetivosCada toque é como um corte preciso de um cirurgião profissional. Por exemplo, só vi o Cristiano Ronaldo errar um único passe durante todo o jogo.
“Que levem Mourinho e nos tragam Deus! Isso é um banho, como Deus manda!” foi o que eu ouvi na arquibancada. É o que os torcedores do Real estão falando do cara que era considerado o melhor treinador do mundo, até conhecer o Barcelona.



